quinta-feira, 9 de maio de 2013

Boa tarde, quinta-feira!


Esse semestre foi para mim revelador. A vida inteira eu soube muito bem o que não queria, mas sempre foi difícil encontrar algo que eu realmente gostasse. Quando eu era criança, costumava sentar no corredor do meu apartamento e ficar horas (talvez minutos, mas para minha cabeça de criança eram horas) olhando para a parede branca enquanto tomava minha mamadeira de suco de laranja. Eu simplesmente não conseguia encontrar uma atividade na qual me interessasse e ali ficava até que chegasse minha hora preferida do dia, 16h, e minha babá viesse me mandar ir tomar banho pois já estava "de noite".

E então fui levando as coisas, gostando de quase nada, até que cheguei ao 3º ano e veio a hora de escolher uma coisa pra ser pelo resto da vida. Agora eu sei que os adultos exageram. Não precisa ser pro resto da vida. Você pode fazer vestibular pra Educação Física, pedir transferência pra Engenharia Elétrica, trancar o curso e ir trabalhar no Banco do Brasil. Mas na época eu realmente acreditei que o que eu escolhesse seria pro resto da vida e entrei em pânico mortal. Eu sabia que queria fazer faculdade e sabia até qual seria a faculdade, mas não fazia ideia do curso. Eu pensava em todas as possibilidades, mas nenhuma me agradava. Minha vontade era de sentar no corredor com minha mamadeira de suco de laranja até alguém me dizer o que fazer, mas uma profissão não é algo como ir tomar banho pois já está "de noite".

Percebendo que não chegaria a lugar algum, e que meu sonho de ser tradutora de anime e viver de fotossíntese jamais se realizaria, fiz teste vocacional com um psicólogo. O resultado não foi diferente. Fui eliminando curso por curso, pois todos eram "nem pensar" até que sobraram dois (que eram menos "nem pensar"): Nutrição e Letras. Nutrição porque eu amo biologia, mas odeio insetos e aranhas e Letras porque eu leio 2 livros por mês. O psicólogo me convenceu de que eu não precisaria fazer Letras para ler ou dar aulas de Inglês e que Nutrição seria muito divertido, pois eu poderia brincar de criar bactérias em placas de petri, e então fui lá fazer meu vestibular. 

Durante o curso, passei por muitas frustrações. Quanto mais eu tentava me divertir, e realmente curtir a faculdade, mais coisas frustrantes aconteciam e eu voltava pra casa sentindo que havia levado um sopapo na cara. Todo final de semestre eu me via refletindo o que havia de errado na minha vida e o que poderia fazer para corrigir. Minhas conclusões eram tão complexas que eu acabava mais perdida do que antes e fui levando as coisas, gostando de quase nada, até que veio a hora de escolher, de verdade, sem exageros do adultos, uma coisa para ser pelo resto da vida. E foi bem nessa hora que eu cheguei ao limite, não chutei o balde, mantive as esperanças e, como esperado, tudo deu errado. Outra frustração. Outro sopapo na cara.

Comecei tudo de novo. Vai dar certo dessa vez, e aquela coisa toda. Mas quando eu vi tudo de novo, foi com outros olhos. E então percebi como tudo é idiota e sem sentido. Tive que redescobrir o que eu não gosto para finalmente encontrar algo que eu goste. Mas não algo pro resto da vida. Algo com exagero dos adultos, pra não ter problema se quiser desistir no meio do caminho. Tomei uma decisão pela primeira vez na vida. Sem ninguém pra me dizer que já está "de noite". Afinal, são apenas quatro horas da tarde, o sol está batendo bem forte no meu rosto e eu me sinto ótima!

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