quarta-feira, 8 de maio de 2013

1, 2, 3 e 4


Os dias passaram. A inspiração veio, mas faltou emoção. Então eu li um daqueles livros que você não sabe se lê as 200 páginas todas em um dia ou se joga ele no chão com toda força e deixa apodrecer no canto do quarto. Talvez eu tenha me identificado com alguma personagem, talvez tenha tido a certeza de que não tenho nada a ver. Ou isso ou aquilo. O fato é que fiquei deprimida, só não sei se foi por não ter me identificado nadica ou por ter me identificado demais. Eu li as 200 páginas uma por uma e então veio a emoção. Não veio da depressão-pós-livroquemedeixouimpressionada, mas talvez do fato de que o autor também inventa palavrasquesãofrases, assim como eu. Então ele me entende. Mas eu não o entendo. Não entendo. Não entendo. Não entendo.

Eu me considero uma pessoa de mente aberta. É sério! Eu não me impressiono fácil com as outras pessoas. Não julgo ninguém. Cada um pode ser o que quiser. E então eu sou a pessoa mais correta, que não gosta de fazer coisas erradas, mas que não julga ninguém. Pros outros é normal, mas pra mim não. Eu entendo os outros, mas a mim mesma, não. Então às vezes eu penso que eu me julgo. Percebi que eu julgo ser errado fazer tudo certo. Mas se eu escolhi ser assim, se eu quero, então por que não posso? Então tudo bem gostar de colocar um pijama velho quando é sexta-feira e passar a noite sozinha no meu quarto me entupindo daquelas coisas que ninguém mais gosta. Tudo bem gostar músicas que falam sobre pessoas que fazem o que eu jamais vou fazer porque nunca quis. Entendo todo mundo, mas não me entendo. E também não entendo a personagem do livro. Se ele é igual a mim, por que fez tudo errado? Se eu me identifiquei, por que ele fez uma coisa que eu jamais faria? Se nos outros é normal, por que me abalou tanto?

Me sinto hipócrita. Talvez eu seja mesmo. Me coloco imune a todas as coisas. Não invejo as pessoas que vivem livres, sem pensar nas consequências. A verdade é que eu não gostaria de ser como elas, mas sinto que deveria querer. Não julgo, mas não quero ser igual. Fazer as coisas certas não é uma punição, apesar de ter sido criada para acreditar nisso. Não me sinto punida. Gosto de preferir ficar em casa do que ter que pedir permissão para sair. Ficar em casa enquanto todo mundo participa da vida não é uma punição para mim. É um prêmio. Então é isso. Sou assim. Antissocial. E quando não julgo, não é por que acho normal. É simplesmente porque não sinto nada.

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