quarta-feira, 15 de maio de 2013

Um novo dia!


Fico pensando se o simples fato de ter conseguido acordar cedo torna meu dia bom. Acordei cedo e tomei chá. Ver a água fervendo assim, enquanto os primeiros raios de sol batem na janela, já é algo tão animador. Finalmente é de manhã e o frio me obriga a vestir aquele moletom velho e macio. A preguicinha ao me sentar na poltrona enquanto o pão-de-queijo está no forno, com o celular em uma mão e a xícara na outra. Daqui a pouco ele vai me ligar e vou ouvir sua voz de sono, me dando bom dia. E então, com um sorriso no rosto, eu terei a certeza de que meu dia será bom!

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Boa noite, sexta-feira


Toda sexta-feira já amanhece cansada. Um dia com gosto de fim. É fim, mas ainda é meio. E então eu acordei, atrasada como sempre, ao som de "Here Comes the Sun... Tchurururu", que tocou 4 vezes até que minha voz interna me dissesse para desistir da ideia de ligar para a Sensei e desmarcar a aula de Japonês. Me arrumei como consegui nos 15 minutos que me restavam e tive que colocar meu café em uma garrafinha, rosa, para ir tomando no caminho. Lembrei da garrafinha, dos cadernos e até do lanchinho pra depois da aula. O que eu não lembrei foi de pegar um casaco, então fui andando mais rápido, pra tentar me aquecer.

Chegando lá, aquela surpresa de sempre: "COMO PODE? CADÊ SEU CASACO? VOCÊ NÃO SENTE FRIO NUNCA"? E lá fui eu me justificar que eu morri de frio o caminho todo porque meu quarto é um forno e eu esqueci de olhar a previsão do tempo antes de sair de casa. Levei mais meia hora para convencer a gentil Sensei de que eu não precisava de um casaco emprestado, que eu poderia muito bem sobreviver por mais 1h30 com um pouco de frio, já que andei e fiquei com calor.

Chegando em casa, a primeira coisa que fiz foi trocar de roupa e colocar uma bem mais quente. A segunda foi lavar toda a louça e arrumar as bagunças que deixei para trás porque acordei atrasada. A terceira foi pegar minha mochila e sair, já que ainda teria que almoçar na rua antes de ir para a faculdade. Fui para a aula sozinha, porém sempre acompanhada, celular na orelha, ouvindo a voz do meu príncipe encantado que me contou como foi o seu início de dia. A primeira aula foi chata, e li várias páginas do livro que estou devorando no momento. A segunda foi da minha matéria preferida e eu fiz anotações no meu caderno.

Às 18h caminhei sozinha e desacompanhada em direção à minha humilde casa, já que meu amor está estudando à noite e é triste, eu sei. Resisti à tentação de fazer uma pausa no café Oásis e gastar todo meu dinheiro, de comer um crepe, e só não comprei uma empada de CINCO queijos porque já era fim de expediente e só restava de frango. Acabei chegando em casa e comendo metade de um sanduíche de pão sírio com ricota, porque minha mãe estava em casa e não me deixa fazer gordice. Cheguei atrasada no Pilates porque ninguém merece chegar em casa sexta-feira de noite e ter que ir pra aula de Pilates. Voltei da academia com dor até no fio de cabelo, ajudei minha mãe a faxinar a casa e ainda fui fazer para-casa de Ingles, mas só porque vale ponto. 

Já é quase meia noite, o excesso de cafeína tirou meu sono, estou viciada em candy crush e é por isso que eu não consigo entender como alguém pode gostar de sextas-feiras.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Boa tarde, quinta-feira!


Esse semestre foi para mim revelador. A vida inteira eu soube muito bem o que não queria, mas sempre foi difícil encontrar algo que eu realmente gostasse. Quando eu era criança, costumava sentar no corredor do meu apartamento e ficar horas (talvez minutos, mas para minha cabeça de criança eram horas) olhando para a parede branca enquanto tomava minha mamadeira de suco de laranja. Eu simplesmente não conseguia encontrar uma atividade na qual me interessasse e ali ficava até que chegasse minha hora preferida do dia, 16h, e minha babá viesse me mandar ir tomar banho pois já estava "de noite".

E então fui levando as coisas, gostando de quase nada, até que cheguei ao 3º ano e veio a hora de escolher uma coisa pra ser pelo resto da vida. Agora eu sei que os adultos exageram. Não precisa ser pro resto da vida. Você pode fazer vestibular pra Educação Física, pedir transferência pra Engenharia Elétrica, trancar o curso e ir trabalhar no Banco do Brasil. Mas na época eu realmente acreditei que o que eu escolhesse seria pro resto da vida e entrei em pânico mortal. Eu sabia que queria fazer faculdade e sabia até qual seria a faculdade, mas não fazia ideia do curso. Eu pensava em todas as possibilidades, mas nenhuma me agradava. Minha vontade era de sentar no corredor com minha mamadeira de suco de laranja até alguém me dizer o que fazer, mas uma profissão não é algo como ir tomar banho pois já está "de noite".

Percebendo que não chegaria a lugar algum, e que meu sonho de ser tradutora de anime e viver de fotossíntese jamais se realizaria, fiz teste vocacional com um psicólogo. O resultado não foi diferente. Fui eliminando curso por curso, pois todos eram "nem pensar" até que sobraram dois (que eram menos "nem pensar"): Nutrição e Letras. Nutrição porque eu amo biologia, mas odeio insetos e aranhas e Letras porque eu leio 2 livros por mês. O psicólogo me convenceu de que eu não precisaria fazer Letras para ler ou dar aulas de Inglês e que Nutrição seria muito divertido, pois eu poderia brincar de criar bactérias em placas de petri, e então fui lá fazer meu vestibular. 

Durante o curso, passei por muitas frustrações. Quanto mais eu tentava me divertir, e realmente curtir a faculdade, mais coisas frustrantes aconteciam e eu voltava pra casa sentindo que havia levado um sopapo na cara. Todo final de semestre eu me via refletindo o que havia de errado na minha vida e o que poderia fazer para corrigir. Minhas conclusões eram tão complexas que eu acabava mais perdida do que antes e fui levando as coisas, gostando de quase nada, até que veio a hora de escolher, de verdade, sem exageros do adultos, uma coisa para ser pelo resto da vida. E foi bem nessa hora que eu cheguei ao limite, não chutei o balde, mantive as esperanças e, como esperado, tudo deu errado. Outra frustração. Outro sopapo na cara.

Comecei tudo de novo. Vai dar certo dessa vez, e aquela coisa toda. Mas quando eu vi tudo de novo, foi com outros olhos. E então percebi como tudo é idiota e sem sentido. Tive que redescobrir o que eu não gosto para finalmente encontrar algo que eu goste. Mas não algo pro resto da vida. Algo com exagero dos adultos, pra não ter problema se quiser desistir no meio do caminho. Tomei uma decisão pela primeira vez na vida. Sem ninguém pra me dizer que já está "de noite". Afinal, são apenas quatro horas da tarde, o sol está batendo bem forte no meu rosto e eu me sinto ótima!

quarta-feira, 8 de maio de 2013

1, 2, 3 e 4


Os dias passaram. A inspiração veio, mas faltou emoção. Então eu li um daqueles livros que você não sabe se lê as 200 páginas todas em um dia ou se joga ele no chão com toda força e deixa apodrecer no canto do quarto. Talvez eu tenha me identificado com alguma personagem, talvez tenha tido a certeza de que não tenho nada a ver. Ou isso ou aquilo. O fato é que fiquei deprimida, só não sei se foi por não ter me identificado nadica ou por ter me identificado demais. Eu li as 200 páginas uma por uma e então veio a emoção. Não veio da depressão-pós-livroquemedeixouimpressionada, mas talvez do fato de que o autor também inventa palavrasquesãofrases, assim como eu. Então ele me entende. Mas eu não o entendo. Não entendo. Não entendo. Não entendo.

Eu me considero uma pessoa de mente aberta. É sério! Eu não me impressiono fácil com as outras pessoas. Não julgo ninguém. Cada um pode ser o que quiser. E então eu sou a pessoa mais correta, que não gosta de fazer coisas erradas, mas que não julga ninguém. Pros outros é normal, mas pra mim não. Eu entendo os outros, mas a mim mesma, não. Então às vezes eu penso que eu me julgo. Percebi que eu julgo ser errado fazer tudo certo. Mas se eu escolhi ser assim, se eu quero, então por que não posso? Então tudo bem gostar de colocar um pijama velho quando é sexta-feira e passar a noite sozinha no meu quarto me entupindo daquelas coisas que ninguém mais gosta. Tudo bem gostar músicas que falam sobre pessoas que fazem o que eu jamais vou fazer porque nunca quis. Entendo todo mundo, mas não me entendo. E também não entendo a personagem do livro. Se ele é igual a mim, por que fez tudo errado? Se eu me identifiquei, por que ele fez uma coisa que eu jamais faria? Se nos outros é normal, por que me abalou tanto?

Me sinto hipócrita. Talvez eu seja mesmo. Me coloco imune a todas as coisas. Não invejo as pessoas que vivem livres, sem pensar nas consequências. A verdade é que eu não gostaria de ser como elas, mas sinto que deveria querer. Não julgo, mas não quero ser igual. Fazer as coisas certas não é uma punição, apesar de ter sido criada para acreditar nisso. Não me sinto punida. Gosto de preferir ficar em casa do que ter que pedir permissão para sair. Ficar em casa enquanto todo mundo participa da vida não é uma punição para mim. É um prêmio. Então é isso. Sou assim. Antissocial. E quando não julgo, não é por que acho normal. É simplesmente porque não sinto nada.

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