sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Sobre meninas e livros


Acordei bem cedo hoje. Era dia de devolver os livros de Anatomia na biblioteca, mas são muito pesados. Poderia ir de carro e devolver, mas minha mãe esqueceu o carro no estacionamento do trabalho. Sim, as pessoas esquecem o carro. Acontece.

Então não devolvi os livros. Eles estão aqui, triste e solitários. Terão que se despedir de mim e já estão ali no canto, isolados. São livros de Anatomia. Foram abandonados pois hoje fiz minha última prova dessa matéria. Da vida. Porque fazer essa disciplina duas vezes tá bom, né? Uma em 2011 e outra em 2016. Uma nutricional e a outra médica. Duas Anatomias e fim.

Sim, foram úteis. Sim, foram lidos e relidos, porém não são meus. Devem voltar a seu habitat natural de livros de Anatomia: a faculdade de Medicina. Mas só na segunda-feira, porque minha mãe esqueceu o carro no trabalho. Adeus livros, queridos! Vejo vocês mais tarde. Mais precisamente no ano que vem. Na prateleira da biblioteca, procurando os de Fisiologia...


terça-feira, 19 de julho de 2016

Primeiro semestre


Começos são sempre aterrorizantes para mim. Não saber o que me espera é um grande desafio. Cheguei de mansinho. No início, pensei estar meio fora do lugar, mas resolvi dar uma chance para mim mesma. Abracei cada situação nova com vontade e motivação. Na verdade, não foi tão difícil assim! Tudo era realmente magnífico!

Ao dar essa chance e entrar de braços abertos na nova faculdade, aprendi várias coisas novas, e outras nem tão novas assim, mas que puderam ser refeitas e melhoradas. E o melhor de tudo foi a oportunidade de conhecer pessoas maravilhosas. Cada um teve um passado muito diferente, e que agora ficou para trás. Estamos juntos nessa jornada que se incia. Cada tem suas qualidades e dificuldades, mas juntos somos um time que se completa. Sim, fiz amigos! Amigos incríveis, que em pouco tempo já estiveram comigo em momentos de luta e de glória.

Posso dizer, então, que o primeiro semestre foi cheio de emoções. Passei alguns apertos, mas no final tudo deu certo. Para o futuro, espero continuar ao lado desse time maravilhoso de amigos. Assim, tenho certeza de que meu curso será um verdadeiro sucesso!

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Boa tarde, inverno!


Difícil acordar cedo. Ainda mais quando está 10 graus lá fora e as cobertas estão bem quentinhas. Mas eu consegui. Levantei.

Meu pai chegou de viagem ontem e trouxe do interior um café maravilhoso! Nada melhor do que café para acordar nesse frio! A fumacinha subindo através do coador vermelhinho... Ai... cheirinho de manhã de inverno!

Casaco, cachecol e touca. Tudo isso para não congelar, já que a aula de hoje foi láaaaa no alto do morro. Andar sob o sol quentinho com aquele gosto de fim de semestre (melhor quando é a última aula da matéria mais chata da vida). Almocei entre colegas, risadas e batatas-fritas. Joguei conversa fora... estudei... 

E depois, depois de tudo isso, voltar pra casa com os amigos, entrar em uma guloseria no meio do caminho e deliciar um pedaço de bolo não tem preço!

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Flexor pollicis brevis


Então eu decidi que a melhor forma de passar em Anatomia seria fazendo resumos no meu caderno. Noventa e seis páginas. De resumo. De Anatomia. Quer dizer... ainda não acabou o semestre. Mas meu caderno acabou. Acabou. O. Caderno.

Sabe o que mais que acabou? A reserva de glicogênio do músculo flexor curto do polegar. E o que isso quer dizer? Quer dizer, apenas, que minha prova é depois de amanhã e eu estou usando o mouse com a mão esquerda. Em outras palavras: meu dedão morreu. R.I.P.

Tá tranquilo... a prova é escrita, mas tá tranquilo. É meia noite e eu ainda não sei que o arco palmar profundo dá um ramo que nutre esse dedo que morreu. E nem que ele faz relação anatômica com o ramo profundo do nervo ulnar. Não sei essas coisas nem depois de gastar toda a paciência do meu namorado, que ficou uma hora me explicando a matéria pelo telefone. Nem depois de 43 mensagens gigantes do meu amigo com tudo que eu preciso saber para a prova. Não sei nada, meu dedo morreu, mas tá tranquilo.

Um zero a mais, um zero a menos... não mata ninguém. Veja pelo lado bom, Rafa: se a combinação dos movimentos do polegar com o terceiro dedo não funcionarem na hora da prova, nem seu nome você vai conseguir escrever. E ninguém vai saber que o zero é seu! 


quarta-feira, 13 de abril de 2016

Um dia super agradável!


Confesso que gostaria de ter dormido mais. A arte de levantar com aquela disposição nunca me pertenceu, então posso ter pensado duas vezes antes de ir da cama para o chuveiro, às 5h50 da manhã. Logo me animei, porém, já que por um milagre dos céus o tempo estava fresco, com uma leve brisa. Não me leve a mal... eu amo calor! Mas 30 graus em abril é algo tão bizarro que dá até para agradecer quando bate um ventinho.

Para a minha alegria aumentar, excepcionalmente hoje não tive que visitar o Centro de Saúde onde minhas aulas práticas acontecem. As atividades foram na própria faculdade, o que fez meu dia render horrores! Nada de ônibus, nada de andanças. Não foi a toa que depois do almoço, enquanto todos saboreavam um delicioso cafezinho, um de meus novos amigos constatou: "hoje o dia está especialmente agradável"! Fresco, ensolarado, sossegado e descansado. Deu até para estudar anatomia na biblioteca, o que eu fiz a tarde toda. E depois, voltei para casa jogando conversa fora.

Dias agradáveis são bem assim: deliciosamente normais!

sábado, 9 de abril de 2016

Bom dia, Sábado!


O despertador tocou e eu nem ouvi. Dormi demais. 9h30, café com biscoitos. Calor. Estudos (matéria chata). Mudança de planos. Convite inesperado!! Músicas lindas tocando no meu radinho... E a certeza de que no final, tudo dá certo!

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Novo começo


Me sinto uma pessoa extremamente sortuda por ter tido a chance de começar tudo de novo. 

Quando se tem 17 anos, a coisa mais difícil é decidir. Decidir se vai assistir Naruto ou Bleach, se vai viajar pra praia ou pro Canadá, se vai sair com os amigos ou ficar em casa o dia inteiro de pijama. E então te obrigam a decidir o que você vai ser para o resto da vida.

Aos meus 17 anos, a única coisa que eu sabia era o que não queria fazer. E praticamente tudo se encaixava nesse critério. "Você tem que fazer o que você gosta", eles disseram. Mas eu não gostava de nada. N-A-D-A. Eu era adolescente. Adolescentes não gostam de nada.

Depois de muito pensar, decidi por um curso qualquer. "A faculdade vai ser super legal", eles disseram. Só esqueceram de me avisar que eu deveria fazer amigos. Logo eu, a antissocial. Olhei para um, lado... olhei para o outro... e só vi meninas. Nenhum menino no curso que eu escolhi. Logo eu que só tinha amigos homens e só sabia conversar de assuntos de menino; que só tinha um batom e usava esmalte só pra ir em casamentos. 

Não preciso nem dizer que a faculdade foi um choque para mim. Fui bombardeada com cores de esmalte, nomes de atores bonitos e histórias sobre namorados. Enquanto minhas novas colegas entrosavam e se divertiam, eu pensava em mokonas, guitarras, doboks e kanjis. Resolvi, então, me concentrar nas matérias super legais que eu teria na faculdade.

Imaginando que iria estudar anatomia, fisiologia e histologia, comprei cadernos novos, e cheguei super empolgada. As matérias que me esperavam, porém, eram geoeconomia, ética e ecologia. Assim, continuei sendo adolescente e não gostando de nada.

Isso se perpetuou por anos, até que tive a oportunidade de estagiar em um hospital. Me encantei por tudo, e encontrei coisas que me despertavam curiosidade e vontade de aprender mais. Com um empurrãozinho do meu namorado (e melhor amigo), criei coragem e admiti para mim mesma que gostava de algo além de anime, rock, taekwondo e japonês, Encarei o desafio, transformei todo o ódio em amor e decidi que o único jeito de consertar os erros da adolescência rabugenta era começar de novo.

E comecei. 

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